Nizam

A família de Razia

O pai de Razia foi o escravo turco Shams ud-Din Iltutmish (r. 1211–1236), que começou sua carreira como servo do sultão Qutb ud din Aibak, que governava Delhi, tornando-se seu favorito. O sultão por sua vez, em um acontecimento nada incomum na história do Islã, deu a mão de sua filha Qutub Begum a Iltutmish, que passou a ser seu escravo e genro. Desse laço familiar, nasceu em berço nobre a princesa e, futuramente, sultana Razia.

Razia, sendo membro da família dominante, cresceu em circunstâncias privilegiadas e estava perto das alavancas do poder dentro do harém (onde sua mãe era soberana) e na corte, onde ela era uma preferida de seu avô materno e seu pai. Isso contrastava com seus meio-irmãos Rukn ud din Firuz e Muiz ud din Bahram, que eram filhos de ex-escravas, por isso, cresciam bastante distantes dos centros de poder.

Quando Razia tinha cinco anos, seu avô Qutubuddin Aibak morreu e foi sucedido por Iltutmish.

Educada como uma princesa

Razia era a favorita de seu pai e, quando criança, tinha permissão para estar presente ao seu redor enquanto eram tratados assuntos de Estado. Mais tarde, assim como algumas outras princesas da época, ela foi treinada para administrar um reino caso fosse necessário. Ou seja, na ausência de seu pai ou seu marido.

No entanto, como era de praxe, o intuito não era que ela assumisse o trono desde o princípio. Então, assim como ela, o filho mais velho de Iltutmish Nasiruddin Mahmud, irmão de Razia, foi preparado normalmente para sucedê-lo.

Porém, Nasiruddin Mahmud morreu de repente em 1229, de modo que Iltutmish acabando por perder sucessor natural. Dessa forma, nascia um problema: o sultão sentia que nenhum dos seus vários filhos sobreviventes, nascidos de suas outras esposas, era digno do trono.

A sucessão do trono

Em 1230, Iltutmish teve que deixar a capital para liderar uma incursão contra Gwalior. Durante sua ausência, Razia atuou como uma regente competente, com a ajuda do ministro de confiança do sultão.

Quando o pai de Razia voltou para Delhi, em 1231, depois de ter capturado Gwalior, o problema da sua sucessão passou a ser recorrente uma questão recorrente. Iltutmish se tornou, então, o primeiro sultão a nomear uma mulher como sua sucessora quando ele designou Razia como sua herdeira. No entanto, depois que Iltutmish morreu na quarta-feira, 30 de abril de 1236, Rukn ud din Firuz, meio-irmão de Razia, foi entronado.

O reinado de Rukn ud din Firuz foi curto. Na verdade, foi a mãe dele quem realmente dirigiu o Sultanato e resolveu problemas práticos nesse período, pois ele acabou se dedicando ao prazer pessoal e à devassidão, causando ultraje aos súditos.

A ascensão de Razia

Em 9 de novembro de 1236, ambos Rukn ud din e sua mãe Shah Turkaan foram assassinados depois de apenas seis meses no poder. Com relutância, os nobres concordaram em permitir que Razia reinasse como sultana de Delhi.

Razia era uma governante eficiente e possuía todas as qualidades de uma monarca. De acordo com o historiador persa do século XIII Minhaj-i-Siraj, ela era “sagaz, justa, benéfica, patrona dos estudiosos, aplicadora da justiça, atenciosa com seus súditos, e de um talento guerreiro, dotada de todos os atributos e qualificações admiráveis ​​necessários para um rei”.

As fontes demonstram que a sultana era muito próxima de seus súditos, principalmente da maioria de hindus que governava, tendo dado a eles plenos direitos e liberdade religiosa. Além disso, outro aspecto da vida da sultana era seu amor por Malik Ikhtiyar-ud-din Altunia, governador de Bhatinda, no Punjab.

Altunia e Razia eram amigos de infância. Alguns afirmam que já se amavam na época. Ele tinha pretendido ser seu consorte real um dia, mas a vida ocupada de Razia e a pesada responsabilidade como sultana não era algo que ela pudesse ignorar. Por isso, ela continuou recusando suas repetidas propostas de casamento.

De sultana à prisioneira

Quando ele se tornou o governador de Bhatinda, Razia começou a confiar em um escravo africano chamado Jamaluddin Yaqut, que era leal à sultana. Yaqut em um curto espaço de tempo tinha adquirido excelente posição e status na corte. De um simples Amir-i-Akhur (senhor dos estábulos), ele se tornou Amir-ul-Umra (Chefe dos Nobres). A posição de Amir-ul-Umra era ocupada anteriormente por um turco da elite social. O crescente rumor sobre um suposto relacionamento ilícito entre Yaqut e Razia tornou Altunia ciumento e então ele liderou uma rebelião contra ela.

Em uma batalha entre os amantes, Yaqut foi morto e Razia foi capturada e tomada como prisioneira. Enquanto estava na prisão, ela foi mantida em aposentos reais e Altunia a visitou regularmente. Ela foi autorizada a ir para a Mesquita Hajirattan para oferecer orações nas sextas-feiras em um local especial. A atenção dispensada por Altunia e seus cuidados reconquistaram mais uma vez o coração da sultana e, após os mal entendidos serem esclarecidos, os dois finalmente se casaram.

O fim do governo de Razia

Enquanto isso, Muiz ud din Bahram, outro meio-irmão de Razia, usurpou o trono. Altunia e Razia empreenderam uma campanha militar para retomar o Sultanato de Bahram, mas foram derrotados em 12 outubro de 1240.

Eles fugiram de Delhi e chegaram a Kaithal no dia seguinte, onde as forças restantes os abandonaram, deixando-os à própria sorte. O casal foi executado. Bahram, por sua vez, reinou entre 1240-1242, mas seria destronado por incompetência e executado por seus próprios homens em 15 de maio de 1242.

Diferentes visões

Os rumores sobre a sultana e Yaqut só foram espalhados pelos nobres turcos para sujar sua imagem. Muitos historiadores bem conhecidos também acreditam que a rebelião foi simplesmente uma maneira de capturá-la e protegê-la dos olhos malignos de pessoas como Kabir Khan e os nobres turcos que sempre queriam sua queda porque não podiam aceitar uma mulher à frente do Sultanato.

Bibliografia:

- Jackson-Laufer, Guida Myrl (1999). Women Rulers Throughout the Ages: An Illustrated Guide. ABC-CLIO. p. 341.
- Asif, Salman, and Kate Montgomery. Razia: Warrior Queen of India. London: Hood Hood Books, 1998.
- Dasgupta, Shahana. Razia: The People’s Queen. New Delhi: Rupa & Co, 2001.

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