Nizam
Fonte: Muhammad por Martin Lings

História

Nesse dia, centenas de homens lutaram na batalha de Badr, presumindo ser referida no próprio Alcorão Sagrado na surata de número 8, Os Espólios (Al Anfal), versículo 1.

Desta feita, a batalha ocorreu devido ao fato de os muçulmanos montarem uma emboscada contra uma caravana coraixita nos arredores do "Poço de Badr", caravana esta que voltava da Síria carregada de mercadorias e ouro que havia sido adquirido através do roubo dos pertences dos muçulmanos quando estas partiram de Meca.

Porém, tendo sido avisados anteriormente sobre os planos do Profeta Muhammad por um homem chamado Damdam, os habitantes de Meca enviaram mil homens para proteger a caravana. Tendo a caravana sido salva pelos guerreiros de Meca, os mesmos acabaram confrontando os muçulmanos ao receberem a notícia de que a caravana havia chegado ao seu destino em segurança. Eis que a batalha de Badr inicia.

Desfecho

Ocorre que apesar de Muhammad comandar somente trezentos e treze soldados contra mil guerreiros mequenses, uma desvantagem de três para um, os muçulmanos ainda conseguiram vencer a batalha, tendo somente quatorze baixas enquanto Meca perdeu quarenta e cinco combatentes. Dentre as perdas mequenses encontrava o líder dos mil homens, Abu Jahl, que foi um dos coraixitas que mais insultou o Profeta durante sua vida, sendo também chamado de "o Faraó dos Muçulmanos" devido às perseguições realizadas contra os fiéis do Islam.

Tal vitória foi extremamente importante para os muçulmanos, uma vez que não só aumentou sua confiança, mas também fortaleceu a posição de Muhammad em Medina.

Muito embora a já mencionada surata faça alusão às contendas que surgiram na ummah (comunidade islâmica) por conta da partilha dos bens adquiridos na batalha, o mesmo versículo ainda diz que os muçulmanos devem temer a Deus e resolver de modo pacífico as suas querelas.

Após vencer a batalha, temos o relato de que setenta homens foram feitos prisioneiros. Porém os muçulmanos começaram a agrupar os mesmos e mata-los conforme o antigo costume árabe, tendo o Profeta dado um basta nisso. A esse respeito, vemos que a surata 45:4 instrui os muçulmanos sobre como tratar os prisioneiros de guerra, insistindo para que os mesmos sejam soltos, às vezes até mesmo sendo trocados por resgate, como por exemplo quando um muçulmano foi aprisionado pelo inimigo.

Até a vitória em Badr, a causa dos muçulmanos parecia sem esperança, sendo o próprio Profeta alvo de vários deboches, insultos e até mesmo agressões físicas durante anos. Porém, após uma vitória tão significativa, Muhammad e seus companheiros seriam levados mais a sério.

O exército de anjos

Na tradição islâmica, tal batalha não foi travada somente por mortais, uma vez que os muçulmanos receberam auxílio direto de outros servos de Deus: os anjos.

Muitos muçulmanos narraram ter visto naquele dia uma legião de anjos lutando ao seu lado. Muhammad sabia a respeito dos anjos que vieram para auxiliar os verdadeiros fiéis, pois Deus assim disse no Alcorão Sagrado, surata 8, versículo 9: "Reforçar-vos-ei com mil anjos, que vos chegarão paulatinamente."

A presença dos anjos pôde ser sentida por todos naquele momento, sendo uma causa para o fortalecimento dos fiéis e o terror dos infiéis. Porém, tal presença foi visível (ou audível) somente para alguns, chegando a variar nos graus de intensidade. Exemplo é no momento da batalha, quando um dos fiéis perseguia um inimigo, e antes mesmo que pudesse alcançá-lo, a cabeça do soldado mequense foi atingida por uma mão que não pôde ser vista, voando para fora de seu corpo.

Nesse dia, os muçulmanos souberam que estavam do lado certo, que Deus estava com eles e que se fossem tementes, até um exército de anjos viria ao seu socorro.

Bibliografia

LINGS, Martin. Muhammad. His Life Based on the Earliest Sources.
ARMSTRONG, Karen. Maomé – Uma Biografia do Profeta. 1991
COLE, Juan. Muhammad. Prophet of Peace Amid the Clash of Empires. 2018.
HODGSON, Marshall Goodwin Simms. The Venture of Islam. The University of Chicago Press. Volume 1.

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